Boas Maneiras em Sociedade 

 

 

 

A Cortesia

Muitas pessoas, especialmente do sexo masculino, evitam certos ambientes em
que os costumes sociais revelam e exigem finura de trato, como mandam os
princípios da etiqueta, sabendo que fariam má figura, pois, reconhecendo a
própria inabilidade em matéria de requintes, acham que
tudo não passa de afetação, de puro exibicionismo.
Nunca, decerto, lhe ocorreu apreciar o lado
certo da questão, sob o ponto de vista social e humano. Naturalmente,
essas pessoas não receberam devida instrução sobre civilidade e etiqueta,
portanto ignoram que não constituem mera aparência, capricho de gente rica,
ou verniz para camuflar a verdadeira personalidade real. Ignoram por
completo a importância de seu papel, ignoram que desde épocas remotíssimas
a etiqueta era a primeira arte a ser ensinada e que dela não se prescindia
para tentar galgar os postos elevados na escala social.

 

A verdade, porém, manda que se diga: houve épocas em que na alta sociedade
o rigor da etiqueta atingia as raias do absurdo, mas a maioria dos detalhes
complicados, então em voga nesse mundo distante, um tanto artificial,
já desapareceu, pois, desde que a sociedade, em geral, na sua contínua evolução
sofreu grandes transformações, abolindo certos privilégios, estabelecendo outros,
a rigidez formalista da etiqueta foi sensivelmente reduzida a um sistema
racional, de uso corrente em qualquer ambiente ou sociedade. Não obstante,
permanece imutável a lei que é a sua própria essência, o que significa mais
claramente: civilidade e etiqueta constituem a expressão lídima do respeito
e do apreço devido aos nossos semelhantes; é base da boa educação e ela
nos é ensinada por códigos bem antigos, até mesmo pela Bíblia.
Estudando a história da civilização, verificamos que os franceses figuram
em primeiro plano como mestres de etiqueta. Em seus livros que falam de
trovadores e gestas, na época do apogeu da galanteria, tem grande relevo a
cortesia, levada ao extremo.

 

Quantos episódios da história ficaram devendo
sua celebridade graças aos princípios da cortesia! Inúmeros são os casos em
que ela funcionou como causa direta e determinante de graves incidentes entre
nações, ou como causa direta e determinante de graves incidentes entre nações,
ou como apaziguadora de situações críticas nas esferas diplomáticas; e, muitas vezes,
constituiu, também, motivo de insensatas rivalidades que pôs em jogo o prestígio de personalidades eminentes.
Mercê de Deus esse tempo já passou; as ridículas veleidades de uma sociedade
super-requintada pertencem às curiosidades históricas. A evolução dos costumes,
tirando à etiqueta o antigo caráter de ritual, simplificou-a ao extremo, sem
contudo anular a sua verdadeira característica que é a de liderar a estrutura da
educação. Ser bem educado sempre foi e é uma arte - uma arte difícil.
Daí a necessidade de instruir-se convenientemente. Seguir os códigos sem deslizes,
sem faltas, só é provável quando decorreu a própria existência foi formado
dentro dos seus principais cânones. O melhor antídodo para se evitar que a
etiqueta seja formada como pedantismo é a naturalidade. Seja qual for a
condição social do indivíduo, a naturalidade e a simplicidade são os elementos
indispensáveis para tornar a pessoa simpática são amável, comunicativa e cativante.
A esse respeito, reportamo-nos ao escritos de ilustre escritora portuguesa
conhecida sob o nome, ou pseudônimo de Condessa de G, no qual

se lê: "Onde a rigidez e o formalismo pareçam deslocados, uma atitude natural
e compreensiva tem sempre o seu lugar. Não quer dizer que as regras da boa
educação possam em certos casos ser postas de lado, ou pura e simplesmente
desrespeitadas. Seria grave erro. A maleabilidade de tais regras não significa
o seu abandono; elas continuam sempre as mesmas, e iguais a si próprias.
O que pode e deve variar, conforme as circunstâncias de momento e de lugar,
é a forma, o modo, ou a intenção com que são aplicadas. A mesma regra pode
servir para exteriorizar a simpatia e o apreço, assim como pode servir para
dar uma lição de boas maneiras. Um homem educado não responde à descortesia
com a descortesia nem à insolência com a insolência; responde com uma atitude
correta, que além de lembrar ao adversário a incivilidade do seu agir, representa
uma afirmação de cavalheirismo e de caráter.

 

A boa educação é por isso a expressão
de um domínio completo de si próprio, em todas as circunstâncias. Só uma pessoa de
abandonará a expansões intempestivas, por gestos e por palavras.
O comedimento, aliado à simplicidade e à naturalidade não forçada, é a regra
fundamental da cortesia". Não há dúvida que para se chegar a esse natural
"comedimento", é preciso haver contraído o hábito, desde a mais tenra idade,
no seio da própria família. Fica, portanto, bem clara a necessidade de adotar
tal hábito na convivência diária com a própria família, com os companheiros de
estudo e de trabalho e, particularmente, com um exercício contínuo de higiene mental.
Desde que as maneiras cotidianas se tornem suficientemente automatizadas,
pela força do trabalho, sobra mais tempo à pessoa para dedicar-se com maior
liberdade às coisas que dependem do espírito e da inteligência, sem quebra da
harmonia entre o bem viver e o bem saber. Saber exatamente o que temos a fazer,
é sumamente importante. No contato diário que temos com as pessoas, ou nas
ocasiões especiais, a perfeita segurança de si mesmo, revela o nível da formação
educacional, como também, simplifica as relações. Saber e fazer bem feito
o que se tem a fazer constituiu a ciência do êxito, do triunfo do desembaraço
natural que distingue a pessoa. O conhecimento preciso das conveniências, a decisão,
a urbanidade inalterável, são como que a armadura do homem na sua condição
de elemento agregativo, indispensável à harmonia e à sobrevivência da sociedade.
Como bem disse Mons. Pedro Anísio, no seu tratado de pedagogia "o homem nasce
e vive na sociedade e somente na sociedade pode chegar ao estado de perfeição
conveniente à sua natureza racional. É sob o influxo da família, da escola,
da Igreja, do Estado, numa palavra, dos grupos sociais, que se instrui e aperfeiçoa
o homem, conserva a cultura e influi no progresso do mundo. Nada há que possa
substituí-la; é de todo em todo indispensável". A porta da casa Pode parecer
supérfluo um capítulo dedicado às portas de casa, mas há muito de revelador
numa porta e na sua influência social. Talvez nunca uma pessoa se detenha,
passando por uma rua, a considerar o que sugerem, o que simbolizam as
numerosas portas pontilhando o longo das calçadas fechadas e mundas, qual
barreiras ou sentinelas, interpondo-se entre vidas que transcorrem de um lado e de outro.
Separam quem vive do lado de dentro do mundo exterior, como uma impenetrável
cortina a ocultar um mundo ignoto, misterioso. Se um estudioso ousado e
dotado de algum poder mágico pudesse, invisível, penetrar em cada casa,
cujas portas talvez nunca lhe fosse dado transpor, quantas e quantas revelações
o aguardariam! Por isso temos que considerar a porta como um símbolo que
reclame de nós o máximo respeito. A sensação de incógnito que uma porta
fechada inspira, às vezes, perturba certas naturezas tímidas, daí inibições
aparentemente inexplicáveis. O efeito de abrir-se um porta, pode influir profundamente
no primeiro contato entre pessoas que se defrontam por força das múltiplas contigências da vida; eis porque

achamos conveniente dedicar um pequeno espaço a este assunto.

 

ABRIR A PORTA

 

 

Antes de mais nada, quem abre a porta, atendendo à campainha, deve executar
essa função com delicadeza e, deparando com uma visita esperada ou não,
acolhe-la prontamente, evitando efusões à vista de todo mundo; estas serão
mais expressivas dentro de casa. Aos criados ensina-se a maneira correta de
atender, pois este detalhe revela a finura do ambiente. Em hipótese nenhuma,
deve-se demonstrar maneiras suspicazes, seja a quem for, dando a impressão
de que está desconfiando. As pessoas amigas, o fornecedor, o mensageiro e mesmo
o mendigo que pede esmola, devem receber a impressão agradável de que bateu
a porta de uma casa hospitaleira, onde residem pessoas bondosas e bem educadas.
Como medida de precaução, muitas casas dispõem de um "olho mágico" na porta,
ou uma espécie de postigo por onde, sem ser pressentida, a pessoa que vai abrir
pode verificar quem está batendo e assim defender-se dos importunos, aos
quais não se tem obrigação de receber. Mas, quando se abre a porta, atende-se
as pessoas com expressão amável; aos amigos perguntando cordialmente:
"Como está passando?" e conforme a condição das demais pessoas, adota-se a
fórmula de polidez indicada sem nunca esquecer que tratamos com seres tão
humanos quanto nós mesmos. Levantar as sombrancelhas com impertinência revela
o mais absoluto mau gosto; quando se faz tal gesto ao indagar, deve-se
demonstrar interesse, nunca o irritante ar de superioridade que só desperta simpatia.
Entreabrir a porta, ocultar o corpo e mostrar apenas a cara enquanto se fala
é simplesmente grosseiro. Isso não se admite em caso algum e tanto menos
em relação a um mendigo, pois aos que assim procedem não é demais
lembrar o que preceitua a caridade cristã: "entre tu e o mendigo está a pessoa de Cristo".
Quem atenda a porta ? - Não havendo empregados na casa, qualquer pessoa
da família pode atender à porta. bater numa porta - Gente bem educada nunca
deixa de bater, discretamente, numa porta fechada, quer seja a da rua quer
seja a de qualquer recinto interior. Quando chamada a adentrar a dependência,
nunca entra sem pedir licença; esta norma deve ser observada indistintamente
por todas as pessoas da família e estranhas. É bastante comum assistir
à cena deprimente da violação de intimidade por parte de pessoas indiscretas,
principalmente vizinhas ou amigas que desconhecem os justos limites da amizade;
são geralmente criaturas desprovidas de tato, às quase nem sempre é possível
limitar as liberdades que tomam e que não raro trazem mais conseqüências.
Numa casa bem organizada, essas invasões excluem-se por si mesmas, pois
um teor de vida metódico e regrado sempre impõe o devido respeito. Os filhos devem
ser educados desde pequenos a não entrar intempestivamente nos aposentos alheios,
sem bater à porta e pedir licença; o exemplo, porém, deve partir dos pais,
que procurarão usar sempre igual delicadeza, mesmo ao entrar nos quartos dos filhos,
acostumando-os assim a respeitar a intimidade do próximo, o que constitui parte
muito importante da educação esmerada e das boas maneiras. Os criados, naturalmente,
sabem que devem sempre bater à porta antes de entrar nos quartos de dormir,
no escritório ou noutras peças fechadas. Qualquer pessoa, porém, percebendo através
de uma porta entreaberta que há alguém no aposento, perguntará: "Posso entrar?".
O interpelado nunca deixará de responder "pode entrar" ou não achando oportuna a
presença de outrem no momento: "por favor, volte daqui a pouco", assim por diante.
Uma pergunta e uma resposta dadas com delicadeza podem

evitar embaraços e contratempos inúteis.

 

ENTRAR EM CASA COM VISITAS

 

Muita gente, por excesso de delicadeza ou inexperiência, cria verdadeira confusão

ao chegar em casa com visitas; uma série de gestos apressados e inúteis originam cenas

verdadeiramente ridículas; abrem a porta, desculpam-se à direita e à esquerda,

retrocedem para que as visitas entrem enquanto estas por sua vez, se desculpam,

etc., eis em síntese, o quadro cômico. A teoria certa que deve valer em todas a

s circunstâncias é a seguinte: "Em qualquer lugar e em qualquer caso, os donos

da casa sempre passam na frente", tanto na porta da rua como no "hall",

e muito especialmente ao entrar na sala de jantar.

Convém lembrar que, encontrando-se

à porta um grupo de visitantes, a cortesia manda que os mais jovens cedam o passo aos

mais velhos; tratando-se, porém, de um grupo de senhoras, convém usar do

máximo cuidado, pois nenhuma gosta de ser considerada "a mais velha", portanto

a mais moça deve proceder com grande delicadeza dando a entender, com naturalidade,

que tal honra é atribuída tão somente aos seus dotes pessoais e peculiares.

Demorar-se a insistir sobre o direito de precedência sempre cria confusão; o

melhor é agir com simplicidade e, entre um sorriso e uma amabilidade,

por de parte a questão e interessar-se logo pelaspessoas que recebem.

 

ENTRADAS

 

Ao entrar numa casa estranha e pela primeira vez, deve-se, proceder com toda

a naturalidade; tensão nervosa, constrangimento, timidez, denotam falta

de personalidade. A tranqüilidade, a graça, a delicadeza, predispõem imediatamente

à simpatia e confiança. As "entradas" exigem, em qualquer lugar, um perfeito

autodomínio, principalmente num ambiente fino, entre um grupo social distinto.

Há pessoas que se tornam famosas pelas suas "entradas"; lembram-se de uma

linda mulher, heroína de um romance de Balzac, cujo sucesso espetacular residia

na sua mineira "exquise" de apresentar-se? Pois tanto pode ser um sucesso como

redundar numa cena grotesca o simples fato de entrar numa casa ou num salão.

As pessoas extremamente inibidas, como às extremamente impetuosas, o conselho

é idêntico: naturalidade, gentileza, graça e autoconfiança. Há pessoas cuja

entrada numa sala tem o condão de atrair todos os sorrisos de simpatia; outras

há, ao invés, que agem como um turbilhão, alterando a harmonia reinante,

criando confusão e ate mesmo irritando algum dos presentes. E há, também,

pessoas que mais parecem sonâmbulas; entram como se o fizessem por mera

casualidade e mantêm-se vagas, displicentes, alheias a tudo, causando um efeito

desanimador no ambiente. Essas criaturas "singulares" têm muito o que aprender,

a fim de evitar as sensações de desagrado que provocam. Também chegar

propositadamente a uma festa com atraso, para chamar a atenção geral dos

demais convidados, é de muito mau gosto. A cortesia das rainhas consiste,

sobretudo, na pontualidade; chegar na hora certa e nunca fazer-se esperar.

Ao entrar numa sala em que se encontrem outras visitas, a pessoa fará uma breve

pausa no limiar da porta e circundando rapidamente o olhar, procurará localizar

a dona da casa, a quem se dirigirá imediatamente para cumprimentar em primeiro

lugar. Esse gesto, porém, deve ser o mais discreto possível, pois poderá ser

interpretado erroneamente e suscitar crítica. A Mesa "Linho alvo, flores frescas,

cristais límpidos, porcelana e talheres bem tratados, constituem o principal

elemento para tornar uma mesa atraente e risonha. Não está na qualidade

nem mesmo na variedade do menu o encanto de qualquer refeição, mas sim

na sua leveza, no sabor delicado dos seus alimentos e na sua leveza, no

sabor delicado dos seus alimentos e na maneira como é disposta e servida.

Certamente que não há nada que mais carinhosos olhar merece de uma boa

dona de casa do que a mesa, e nada onde com tanta freqüência soçobre a sua boa vontade.

O chá mais caprichosamente feito, perfumado, forte, deixa de ter sabor

numa xícara grosseira e sobe o seu qualificativo quando numa chávena leve,

transparente, que nos faça levar em conta de perdão todo o preguiçoso prazer

sentido e revelado pelas tão descritas fidalga chinesas, que envoltas nas

suas largas roupas de seda, com os pés em chinelas cobertas de arabescos,

reclinam-se indolentemente por detrás dos biombos fantasiosamente pintados,

e sorvem, saboreando, a goles pequeninos..." (Júlia Lopes de Almeida, do Livro das Noivas).

 

OS PRAZERES DA MESA

 

 

Os prazeres da mesa podem ser associados a todos os demais que a vida nos oferece;

são os últimos que sobram para nos consolar dos outros; e são os que se adaptam

a qualquer idade e profissão, a todos os países e a cada época do ano.

"Uma boa cozinha é a delícia de uma consciência tranqüila; a abstinência um ma

u estômago. Um gastrônomo que não pode orgulhar-se de possuir um

estômago perfeito, pertence à sociedade dos inválidos" Os antigos romanos

se excederam nos prazeres da mesa, os quais terminavam quase sempre

em orgias verdadeiramente brutais. Contudo, muitos costumes seus deixaram

raízes, como pode verificar-se da seguinte descrição fidedigna. Os romanos,

assim, distribuíam as refeições diárias: o ientaculum (desejum) que consistia

em pão embebido no vinho, ou então de uva, azeitonas, queijo, leite e ovos.

À hora sexta, mais ou menos meio-dia, era servida a segunda refeição, o prandium

(almoço) composta de alimentos mais substanciosos, frios ou quentes.

A refeição principal, a caenam (ceia ou nosso jantar), era geralmente à hora nona, ou crepúsculo.

 

 

Plínio, o Velho, Juvenal, Plutarco, Marcial, Suetônio e outros, deixaram crônicas

bem pormenorizadas acerca da quantidade e qualidade, dos alimentos,

tanto do povo como dos patrícios; quantidade e qualidade que hoje nos fazem estarrecer.

A ceia ou jantar dos romanos dividia-se em três partes; a primeira

parte consistia no antepasto, que Apuléio denomina antecaenia. Macróbio de

ante caenam, Varrão de principia convivii, Petrônio de gustationes e Marcial

de gusta. Cícero denominava-o promulsidem, porque no início dos banquetes

costumava-se beber o "mulso", isto é, vinho misturado com mel. A segunda

parte da ceia, a coenae, não merecia denominação especial, salvo a iguaria

que a encerrava, chamada caput caenae. A terceira parte denominava-se

secundae mensai ou em grego, empregado por Marcial, epidipnides.

Na primeira parte da ceia eram servidos iguarias estimulantes para abrir

o apetite, constituídas especialmente de legumes com molhos acres, como o

oxigarum e outros temperos excitantes, além de ostras e vários frutos do mar.

Mas nos banquetes suntuosos o antepasto incluía também javalis, tordos,

papa-figos, frangos e algum peixe de fina qualidade, conforme narram Macróbio,

Horácio e Petrônio. Os antigos romanos, e gregos também, serviam como

antepasto somente alimentos frios, entre os quais os ovos ocupavam lugar de

importÂncia, pois era o prato que assinalava o término desse primeiro serviço.

Petrônio descreve um banquete ao qual assistiu: "Após os inúmeros pratos frios

(a lista é espantosa), trouxeram numa espécie de balaio uma enorme

galinha deitada de asas abertas, como chocando, sobre uma quantidade de ovos

de pavão. Os comensais foram convidados a abrir cada qual o ovo que lhe

foi servido; muitos relutavam, pois a idéia de encontrar um pintinho dentro

repugnava-lhes, mas o anfitrião dando o exemplo, foi logo imitado por todos.

Qual não foi a surpresa quando partida a casca verificaram que o recheio era

feito com um gordo papa-figos deliciosamente preparado com a gema do ovo!"

Dessa disposição no serviço do antepasto surgiu o dizer dos glutões da época:

"deve-se conservar o apetite até aos ovos, comer durante os assados e

satisfazer-se plenamente na parte final da ceia" Heliogábalo, glutão máximo

e verdadeiro maníaco em tudo, costumava alternar os cardápios da sua mesa,

ordenando para certos dias exclusivamente legumes e verduras; em outros

preferia unicamente alimentos confeccionados à base de mel (não existia açúcar),

e, em outros, somente lacticínios. Cada espécie de refeição tinha seus especialistas;

os que preparavam as pomarii; os especialistas em bolos, tortas, massas,

etc. chamavam-se placentarii; os doceiros chamavam-se dulciarii, e os que

manipulavam os manjares à base de lacticínios, lactarii. Esses titulares gozavam

de todas as regalias na corte e seus vencimentos ultrapassavam aos de muitos

senadores. Talvez nenhum outro povo tenha sobrepujado os romanos em gastronomia;

os loucos despedícios de suas mesas foram responsáveis, pelo menos em três

quartas partes, da rápida queda do seu império, como podemos deduzir pelo

seguinte: O imperador vitélio, num único jantar gastou a soma absurda de 500.000 sestércios;

Caliodoro vendeu seu melhor escravo para banquetear alguns amigos;

Calígula inventou a louca receita de pulverizar sobre os alimentos pó finíssimo

de pedras preciosas. Isso sem mencionar a vasta relação de outros malucos

que não só se arruinaram completamente, mas chegaram a arruinar inteiras

regiões. Os egípcios foram os primeiros inventores do forno para cozer o pão,

além de fabricarem recipiente de bronze para cozinhar toda sorte de alimentos;

foram os mestres da arte culinária, cujos métodos ensinaram aos Caldeus.

Esses, por sua vez, ensinaram outros povos, difundindo o uso de utensílios de

cozinha. O fausto dos Babilônios, dos Assírios e dos Medos, foram descritos

em livros imortais; quanto aos Hebreus, sabe-se que o rei Salomão possuía

doze intendentes de cozinha, os quais cubinas com o séqüito de filhos, parentes

e criados, etc., de iguarias provindas desde Eufrates até o Nilo. A Grécia, sobretudo

os Atenienses, se notabilizou pelos requintes gastronômicos que levaram o

povo a adotar a profissão de "parasita".

 

 

 

 

Exportar seus cozinheiros, que em outras terras enriqueciam fabulosamente,

e que, por sua natural inconstância, passavam de um senhor a outro, de uma cidade

a outra, propagando dessa forma a ciência culinária. A época das orgias gastronômicas

na Europa, termina com a irrupção dos bárbaros do norte na zona mediterrânea,

e a culinária, como arte, só ressurge alguns séculos depois; após os espasmos do ano mil.

Mas só do século XIII em diante, voltou a imperar o luxo e o requinte nas mesas.

Deixemos, porém, a análise da evolução da cozinha para os estudiosos e

limitemo-nos a considerar o sentido, a significação da mesa na ordem familiar.

Ela constitui uma reunião expressiva e sagrada para a união das famílias,

a comemoração de atos e festas sociais. Assim como os primeiros Cristãos

reuniam-se para o ágape sagrado, os povos modernos conservam as antigas

tradições mediante a Comunhão Eucarística, as ceias festivas, que agrupam os

indivíduos em torno da mesa comum, cujo exemplo temos na ceia que Cristo

consumou com seus Apóstolos na Quinta-feira Santa ou como a que reuniu os

convivas, entre os quais o próprio Cristo, nas bodas de Caná. É essa reunião

que constitui o verdadeiro prazer de uma boa mesa. A refeição servida numa

mesa não constitui apenas uma questão alimentar, embora a boa alimentação

seja um elemento imprescindível; o que realmente importa é conseguir a perfeita

harmonia entre os comensais e, de acordo com a ocasião, harmonizar os pratos que se servem. 

 

 

CHÁ ÍNTIMO

 

 

- Há casas onde o chá constitui uma verdadeira instituição, conhecida, e

apreciada por um certo número de pessoas ou "habitues", que adoram essas

reuniões elegantes, realizadas nas horas mais belas do dia e num ambiente

propício às expansões da alma. O chá íntimo é um sério ritual, cheio de

encantamento e doçura. As visitas vão chegando da forma mais deliciosamente

inesperada, criando logo um clima de prazer e alegria, onde cada qual fica

muito à vontade para um dedo de prosa. A dona de casa recebe as amigas num

recanto gracioso do seu apartamento ou numa sala bem florida da casa.

O caráter íntimo dessa reunião, não exclui a elegância; as senhoras comparecem

em traje de passeio, sem grandes aparatos, sem ostentação de jóias, mas

muitos corretas. O arranjo da mesa para o chá é um detalhe que deve revelar

o gosto apurado da anfitrioa. A toalha, muito bonita, pode ser branca ou, então,

dessas muito em voga de tecido estampado ou coloridas, geralmente encantadoras.

Um enfeite floreal completa a beleza do arranjo. Sobre a mesa estão dispostas

as xícaras, que devem harmonizar com o colorido da toalha e das flores; os

pratinhos para doces, os guardanapos e os respectivos talheres, estarão bem

distribuídos ou, então, colocados de modo a não atravancar. Os guardanapos

dobrados em triângulo podem estar sobre os pratos, ou então empilhados a

seu lado. As "bombonières", os pratos de doces, bolos, torradinhas e fatias de

pão bem finas com manteiga, ocupam o espaço em torno da floreira.

A criada traz o chá numa bandeja de prata, de vidro ou outro material de

fino gosto. Além do bule de chá, vem o açucareiro, a leiteira, um coador, um

pratinho com rodelas de limão e um recipiente adequado para que as mesmas

sejam depositadas depois de espremidas. Nas casas em que o serviço de chá

é verdadeiramente impecável e completo, vem na bandeja também é um

chaleira, geralmente de prata, colocada sobre uma espécie de espiriteira

a álcool que se destina a manter em ebulição a água. Em muitas casas

existe o "samovar", peça de grande efeito nessas ocasiões, mas os aparelhos

modernos, de prata ou vidro, substituem perfeitamente o samovar.

Quando há o carrinho apropriado, todo o serviço pode ser arranjado nele desde

a copa; tais carrinhos são muitos práticos e permitem servir as visitas sem

que estas sejam obrigadas a ficarem em torno da mesa. A criada traz sobre

o carrinho a bandeja, junto à qual estarão arrumadas as iguarias bolos,

sanduíches, canapés ou pãezinhos quentes, estes sempre em pratos

aquecidos e tampados para não esfriar. A criada nunca serve o chá.

Após colocar a bandeja na mesa, e os utensílios necessários, retira-se da sala,

ficando porém alerta a fim de atender qualquer possível chamado, quando

se faz necessária sua intervenção para remover pratos utilizados,

substituir algum outro, ou trazer novo suprimento de coisas para comer, etc.

A dona da casa é a única "oficiante" sultar os gostos de cada conviva a

respeito da quantidade de açúcar, se prefere limão ou leite, se mais forte

ou mais fraco, etc. As pessoas convidadas têm o dever de levantar-se para

receber das mãos da anfitrioa a xícara que lhes é oferecida. Ao mesmo

tempo, retiram de sobre a mesa um pratinho com o respectivo guardanapo

e servem-se do que lhes apetecer, à vontade. Preferindo-se torradas com

geléia, não se deve esquecer de levar no prato a faca adequada para passa-la

nas torradas. A dona da casa terá de antemão providenciado a distribuição

de várias mesinhas entre as poltronas e sofás, para que os convidados

possam colocar os pratinhos, a fim de não serem obrigados a equilibra-los

no colo enquanto seguram na mão a xícara. As mesinhas estarão providas

de cinzeiros e cigarros, pois quase toda gente fuma.

Estes detalhes, evidentemente, referem-se aoschás íntimos.

 

 

CHÁ DE CERIMÔNIA

 

 

O chá de cerimônia requer mais meticulosidade, pois se reveste das mesmas

características de uma recepção, embora sem a sua formalidade, e para ele

foram enviados convites. Um chá de cerimônia poderá ser dançante ou não.

Não havendo na casa uma sala bastante ampla, ou dependências adequadas

, é sempre oportuno recorrer ao expediente de realizar essas reuniões

num clube ou na sala de festas de um restaurante distinto. O objetivo dessas

reuniões, muitas vezes, consiste em comemorar o aniversário de uma filha

ou sua apresentação à sociedade. Para o chá dançante, a mesa, grande,

deve ser arranjada numa sala separada do salão de danças. A decoração

da mesa requer gosto apurado e o máximo requinte. A toalha deve ser

rendada ou de linho bordado, sobre a qual são distribuídos os pratos e bandejas

com sanduíches, bolos, salgadinhos e demais acepipes fáceis de servir.

O serviço de chá e as xícaras serão arrumados numa das extremidades;

é preciso dispor de outra mesa menor, colocada junto à grande, onde serão

arrumados o serviço de ponche e os copos indispensáveis para os

refrigerantes que não podem faltar na ocasião. Os pratos de sobremesa,

os talheres e guardanapos serão arrumados nas beiradas da mesa, entre o

s espaços vagos, a fim de possibilitar aos convidados servirem-se

pessoalmente do que preferirem. O chá, porém, ou o chocolate, é apresentado

por uma criada que traz as xícaras numa bandeja de prata, deixando que as

pessoas escolham e temperem a gosto; creme para o chocolate, limão ou leite

para o chá. A mesa para um chá dançante deve ser rigorosamente decorada,

sobretudo com flores naturais, o mais belo adorno. Confia-se geralmente

esse encargo a um florista de um bom gosto, que saiba harmonizar as cores

com o serviço da mesa e com o ambiente. O requinte exige para tais ocasiões

a presença de candelabros, pois, embora o chá dançante se realize em pleno

dia, sua característica de recepção de cerimônia, manda que estejam cerrada

s as cortinas e acesas as luzes da sala. A dona da casa posta-se mais ou meno

s perto da entrada, onde recebe os convidados. Estes, depois dos cumprimentos

de praxe, dirigem-se à sala da festa ou a qualquer outro recanto, conversam

com quem queiram sem aguardar apresentações, dispensáveis nessas circunstâncias.

O horário mais indicado para um chá dançante é geralmente às quatro da

tarde, e pode prolongar-se até às sete e meia da noite.

Quando o chá de cerimônia sem dança é oferecido em homenagem a um

visitante ilustre ou para comemorar um acontecimento de importância, o

arranjo da mesa será o mesmo que para o chá dançante, com a mesma disposição,

salvo a maneira de servir o chá, ou chocolate, cujas bandejas devem ser

passadas ou servidas por alguma pessoa chegada à dona da casa, amigas

íntimas, previamente convidadas. A função da criada ou do garção, neste caso,

limita-se a retirar e substituir os pratos utilizados e suprir as bandejas

de iguarias, bebidas quentes ou frias e tudo o que for necessário.

 

 

RECEPÇÃO

 

 

o termo está a indicar uma forma elegante de receber e homenagear uma

personalidade de grande destaque, ou mesmo para comemorar um acontecimento especial.

Exige um serviço mais variado do que um chá de cerimônia, do qual,

entretanto, é similar. Com efeito, ocorre no mesmo horário e com as mesmas

características, salientando-se (porém, que, além do chá e do chocolate,

doces, bolos e salgadinhos, se costuma servir algum prato mais substancioso,

isto é, um "bouillon", nós diríamos uma canja ou um creme de aspargos,

ou coisa semelhante) uma salada especial, sorvetes diversos, refrescos e café.

Numa recepção é indispensável a presença de um mordomo, ou um

criado, para anunciar os convidados conforme forem chegando.

A anfitrioa recebe, exatamente, como no chá de cerimônia ou em um baile,

isto é, mais ou menos junto à porta, onde recebe os cumprimentos usuais.

Deve haver, também, uma criada incumbida de receber e guardar os

agasalhos das senhoras. Realizando-se a recepção numa casa particular,

deve-se designar um criado, deve-se designar um criado, ou o próprio

chofer, para esperar junto à guia os carros e abrir a porta aos convidados.

É também necessário providenciar uma pessoa à entrada da casa, a fim de

que os convidados não sejam obrigados a tocar a campainha e aguardar do

lado de fora que se lhes abra a porta. As casas bem aparelhadas, e que

recebem com freqüência, possuem geralmente um toldo, o qual é usado no caso

de mau tempo, a fim de preservar da chuva as pessoas desde o automóvel

até à casa. Uma recepção exige grande requinte, porquanto, nenhum

detalhe deve ser descuidado se se quer alcançar pleno êxito.

 

 

"BUFFET"

 

Um buffet é, geralmente, oferecido após uma tarde dançante ou um baile;

é servido da maneira mais prática informal, mas para que não resvale para

a deselegância, a sua organização requer o máximo bom gosto por parte da

dona da casa. Na mesa grande, lindamente ornamentada com flores naturais,

são colocados pratos quente e frios mais ou menos nesta ordem: no centro

a floreira, em seguida a terrina do "bouillon" ou "consome", o prato principal,

carne ou aves e algum acompanhamento. No lado oposto, os pratos de

salgadinhos variados, bolos, torradinhas e outros petiscos, pois um buffet

deve ser muito farto e o mais variado possível. A louça e os talheres

serão colocados perto dos pratos e de conformidade com eles: para o "consome",

chávenas de duas asas, para as carnes pratos rasos, e assim sucessivamente

para cada espécie de manjar. Havendo lugar, na mesma, pode-se arrumar

o serviço de chá e café em duas bandejas distintas. As garrafas de

bebidas vem da copa, trazidas por um criado ou, na falta deste, por qualquer

pessoa da família ou amiga, que se encarregará de abri-las e de encher os

copos arrumados na bandeja, que circulará entre os convidados.

Vinhos, licores, águas minerais e punches em quantidade.

Cada convidado serve-se a si mesmo e, em seguida, acomoda-se onde lhe aprouver;

as mesinhas suplementares são preciosas nessas ocasiões.

Embora um buffet seja despido de formalismo, não prescinde de um arranjo elegante.

A toalha e os guardanapos não devem ser de renda ou linho bordado, o

que exigiria na mesa a presença de candelabros, mas devem ser impecáveis

e bonitos. Uma toalha colorida, com guardanapos constrastantes, é de grande

efeito para a ocasião. O jogo americano é aceito desde que os convidados

não sejam muito numerosos. A mesa, quando há espaço, pode situar-se no

centro da sala de maneira a permitir que os convidados possam movimentar-se

livremente à sua volta; mas sendo a sala pequena, convém encosta-la à

parede, deixando espaço suficiente nas outras três faces para que

todos possam servir-se. O lado encostado à parede, pode ser aproveitado

com a arrumação dos enfeites. As cadeiras, em qualquer caso, devem ficar

bastante afastadas para não obstruir a passagem. A escolha do menu

para um buffet deveria recair sempre em iguarias que dispensem o uso da faca,

por exemplo: tortas de galinha, empadas, coxinhas, croquetes, arroz com

carne picada, saladas mistas e outros pratos do gênero. A sobremesa poderá

constar de pudins, bolos ou qualquer doce feito com frutas. Havendo criados

na casa, estes cuidarão de retirar os pratos utilizados e substituí-los por outros limpos.

Servirão as bebidas sem esperarem que os chamem para isso. Estarão atentos

a qualquer solicitação dos convidados. Não os havendo, pessoas da família, ou

amigas íntimas, ajudarão a dona da casa a servir os convidados,

sem que isso importe em quebra de protocolo.

 

 

COQUETÉIS

 

 

É uma diversão muito popular nas grandes metrópolis, com a vantagem

de realizar-se nas horas em que os homens estão praticamente livres de seus afazeres,

podendo-se, portanto, contar com um bom contigente masculino. É incontestável

que as festas mais animadas e bem sucedidas são sempre aquelas cujo

número de convivas masculinos se equipara aos dos femininos. A hora mais

apropriada para um coquetel é às seis da tarde, podendo prolongar-se até as sete.

Uma criada é indispensável, numa casa particular, para atender à porta e

receber os pertences dos convidados, se o número destes não for muito grande.

Havendo, porém, muitos convidados, faz-se necessário, além da criada, um

criado também a fim de recebe-los e conduzi-los à sala. Os coquetéis são

preparados na copa e já vêm prontos em bandejas para serem servidos.

Os convidados têm a liberdade de escolher entre as duas ou mais qualidades preparadas.

A dona de casa terá providenciado, também, alguma bebida não alcoólica

para os que não suportam o álcool; neste caso haverá alguns coquetéis feitos

de frutas e de suco de tomate. Num "cocktail-part" servem-se bolachinhas salgadas

com caviar, pequenos canapés feitos com pão torrado cobertos com uma

camada de patê, anchovas enroladas com azeitonas, e diversos outros frios

salgados, batatinhas fritas, amendoins salgados, enfim todas essas deliciosas

iguarias que se podem comer sem talher. Exclui-se a grande variedade de

petiscos se o coquetel é oferecido como aperitivo antes da refeição, basta

então passar alguns pratos com azeitonas, batidinhas, ou outra coisa qualquer

bem leve. Quando o coquetel assume as características de uma reunião mais

prolongada, isto é, chegando até às 20 horas, chama-se coquetel-ceia, e

deve-se, então, servir um consome quente, uma salada, pasteizinhos quentes,

croquetinhos e alguns doces. Os coquetéis são servidos pelo criado ou pelo

dono da casa. Se é uma senhora só quem recebe, ela pode pedir a um convidado

bastante íntimo que a auxilie, e este poderá, também, passar as bandejas com os frios.

 

 

 

REUNIÕES DANÇANTES

 

 

 

Uma reunião dançante difere muito pouco de um baile; na primeira são convidados

pessoas de idades mais ou menos equivalentes, no segundo participarão

tanto jovens, como pessoas mais velhas. É óbvio que um baile requer grandes

preparativos, mas atualmente, os bailes são, geralmente, oferecidos em salões

de clube ou de um hotel, portanto, quem o oferece deixa tudo a cargo de um

especialista no assunto, o qual se encarrega de todos os detalhes, desde a

decoração do salão e demais salas utilizadas como sala de estar, toilette e

fumoir; de contratar as orquestras (um baile, para que tenha sucesso,

exige a participação de duas orquestras), além disso, encarrega-se também

de providenciar o serviço de buffet e do grupo selecionado de criados.

Uma reunião dançante começa geralmente às 23 horas, contudo, a maioria dos

convidados só começa a chegar depois dessa hora. Entretanto, a dona da

casa estará pronta e a postos para receber na hora especificada nos convites.

E o baile for oferecido em homenagem a uma determinada pessoa, esta deve

estar ao lado da dona da casa para receber os convidados, os quais serão todos

amigos da família e de suas relações sociais. As pessoas, à medida que forem

chegando, são anunciadas tal como para o jantar, cumprimentam a dona

da casa e passam em seguida para o salão, sem deter-se muito a fim de não

atrapalhar a entrada dos demais que vêm sendo anunciados. A dona da casa

não se afastará do seu posto até a hora em que servida a ceia; finda esta,

tem ela inteira liberdade de entreter-se com os convidados, procurando demonstrar

a todos a sua amabilidade e prazer pela sua presença. Tratando-se de uma

reunião dançante de cerimônia, cujo objetivo é apresentar um "debutante",

não terá esta as mesmas proporções de um baile e o elemento predominante

será de jovens, moças e rapazes, de suas relações, e incluirá, também,

obrigada a receber os convidados ao lado de sua mãe. Esta fará as devidas

apresentações. Não é permitido à "debutante" eximir-se desta obrigação de

receber todos os convidados; só depois da ceia é que ela poderá divertir-se

sem mais preocupações. Sendo a festa para uma "debutante", esta e as pessoas

mais íntimas ocuparão a mesa maior, enquanto os demais convidados

sentar-se-ão em pequenas mesas espalhadas, pois o serviço é o mesmo que

para um buffet. Se, porém, a festa nada tem de cerimonioso, sendo de caráter

mais íntimo, poderá ser realizada com maior simplicidade pela dona de casa,

a qual terá preparado tudo de antemão, retirado os tapetes, encostado

os móveis e providenciado uma boa vitrola com discos apropriados às danças.

O menu, para essa ocasião, incluirá uma sopa (muitos preferem chocolate)

além de refrigerantes e petisqueiras como para um buffet. A mesa será arranjada

em sala separada, com bela ornamentação de flores e demais enfeites.

Os convites indicarão não se tratar de uma reunião de cerimônia, pois serão

feitos em cartão de visita coletivo (Sr. E Sra. Marcos do Amaral), ou então pelo telefone.

 

 

OS JANTARES

 

 

Toda mulher deve saber apresentar-se numa reunião, tanto simples como

de cerimônia, sem demonstrar acanhamento ou apreensão. Deve, igualmente,

saber oferecer jantares, almoços ou lanches de acordo com as circunstâncias.

Se estiver habituada aos requintes do grande mundo social, deve também

brilhar nas reuniões familiares mais simples e saber apreciar devidamente

a cordialidade ambiente. As que não tem prática de formalidades em reuniões

de cerimônia, devem adquiri-las, orientando-se por meio de livros adequados

e fazendo em casa ensaios preliminares até se convencerem de que não

cometerão gafes. Estes conselhos se destinam, particularmente, às recém casadas

que vão iniciar-se na vida de um novo lar, ao lado do jovem marido muito

sociável. Pode aproveitar-se do pretexto de recém casada para convida

r amigas íntimas, uma vez por semana, quer para o almoço, quer para o lanche

ou para o jantar. Assim, acabará, insensivelmente, por tornar-se perita

na arte, e em condições de receber personalidades importantes com

a maior naturalidade. Se acaso não dispõe de criada em ocasião em que o

marido convidou amigos para jantar, não deve amofinar-se, mas considerar

o que pode realizar com seus próprios recursos. Tem de memória o que

aprendeu com a mãe ou num compêndio de etiqueta, e portanto enfrentará

a situação com calma e inteligência. Aqui vão algumas sugestões.

 

 

JANTAR SEM CRIADA

 

Antes de mais nada, por muito simples que seja a reunião, o bom gosto deve

imperar; o encanto de um ambiente acolhedor, a graça e a simpatia da dona

de casa, suprem maravilhosamente o que falta com ostentação e luxo.

Sabendo que o jantar será em determinada noite da semana, tratará de

providenciar com antecedência tudo o que for necessário à sua preparação.

Além das coisas que serão fundamentais, poderá preparar alguns dos pratos

que possam ficar na geladeira, tais como maionese, pudins, etc., enquanto

outros podem ser aviados para a confecção final na última hora.

As verduras serão escolhidas, lavadas e arrumadas de maneira a poderem

ser temperadas no momento preciso; as frutas igualmente serão limpas e

prontas para enfeitar as fruteiras, enfim, tudo quanto se pode fazer e guardar

faz-se na véspera, deixando só para o fim os pratos quentes, alguns dos

quais estarão no forno aquecido até a hora de servir. Uma senhora qu

e faz questão de prestígio, tanto para si como para a sua casa, apresenta

sempre em seus jantares algum prato especial que a torne lembrada, não

se importando com os nomes pomposos de certos pratos que, embora famosos,

se comem em toda parte. Portanto, deve escolher alguma receita no

caderno de sua mãe, que por sua vez a aprendera da avó, e, com alguns

retoques caprichosos, preparar um prato de sucesso, que os convidados

possam louvar como uma delícia e que dele falem saudosamente.

Este é um detalhe importante que merece grande atenção, pois, com um

prato suculento, uma delícia, não há necessidade de variar muito o menu.

Uma boa escolha de hors-do'euvre, já servidos na mesa, ajudam muito o

serviço, em seguida a sopa ou algum prato de massas e, finalmente, o

prato de sucesso com seu respectivo acompanhamento; o arremate com

uma sobremesa, frutas e café, são mais que suficientes para um jantar informal.

Mesmo sem criada, a dona da casa pode desincumbir-se perfeitamente da tarefa

sem grande sacrifício. Durante o dia ela terá arrumado a sala com o máximo

esmero; espalhados sobre os móveis estão as jarras de flores frescas, e cada

objeto ocupará seu devido lugar. A mesa foi arranjada com o maior cuidado;

a toalha branca, adamascada, apresenta-se imaculada e sem rugas; sobre ela a

floreira artisticamente arranjada faz um efeito magnífico; os pequenos objeto

s ornamentais e os de utilidade estão graciosamente dispostos aqui e ali.

Os talheres perfeitamente alinhados ao lado dos pratos, os copos

cintilando, os guardanapos bem dobrados, tudo um encanto; não há motivo

para apreensões. Pouco antes da hora indicada para o jantar, a dona da

casa está pronta para receber os convidados. Se há candelabros na mesa,

ela acende as velas, enche os copos d'água e, em seguida, dirige-se à sala

de visitas onde o marido está recebendo os amigos e ajudando as senhoras

a guardar os agasalhos. A dona da casa recebe os cumprimentos com simplicidade,

não sendo obrigada a permanecer de pé junto à porta. Enquanto ela

troca amabilidades com um e outro, o marido vai servindo os aperitivos,

previamente preparados sobre a bandeja. Verificando que os convidados se

encontram todos presentes (para retardatários é concedido um máximo de

tolerância de quinze minutos), a dona de casa convida-os a passarem

para a sala de jantar onde, gentilmente, indicará o lugar de cada um.

Se houver uma convidada de honra, ou senhora idosa a quem se deva atenção, o dono

da casa se incumbe de conduzi-la à mesa, oferecendo-lhe o lugar à sua

direita; os outros cavalheiros não são obrigados a conduzir as demais senhoras. O

cavalheiro mais importante ocupará o lugar à direita da dona da casa.

A senhora que ocupa o lugar de honra é a primeira a ser servida, e o

dono da casa é o último. Se o primeiro prato da refeição é frio, já deve

estar servido quando os comensais ocuparem os seus lugares. Iniciando-se,

porém, com a sopa, esta deve estar numa terrina bem tampada, previamente

escaldada para que a sopa não esfrie, sobre a mesa, junto ao lado do prato

da dona da casa, que vai servindo e passando os pratos aos convivas, de

acordo com a ordem de precedência. Tratando-se de um jantar sem

cerimônia, devem todos esperar que a dona da casa sirva-se primeiro de

cada prato, pois seria indelicadeza faze-lo antes dela. Assim que todos

houverem terminado, ela retirará os pratos usados, colocando-os na prateleira inferior

do carrinho de chá, previamente, colocado a seu lado; leva-o em seguida

à cozinha e, ao voltar, traz no carrinho o prato de carne - rosbife,

assado, galinha ou pato, com o respectivo acompanhamento - tudo arrumado

sobre o carrinho; se houver espaço, traz nele, também os pratos para a

salada, e na prateleira de baixo a saladeira. Raramente é o dono da casa

que serve a carne; se o fizer, porém, os pratos deverão estar colocados

numa pilha a seu lado. Mas, geralmente é a dona da casa que assume essa tarefa.

Ela servirá a carne da mesma maneira como serviu a sopa, observando

sempre a ordem de precedência. Quase sempre os legumes são apresentados

num prato grande, redondo ou oblongo, às vezes dotado de várias divisões,

o qual é passado aos comensais que se servem pessoalmente, segundo

o próprio gosto. A salada também será servida assim. Quando todos

houverem terminado, a dona da casa desembaraça a mesa dos utensílios

dispensáveis, retira as migalhas e prepara tudo a sobremesa; se esta consistir

em pudim ou bolo, a bandeja está passada de um a outro para que se sirvam a

gosto; se for apresentada em taças, estas serão passadas pela dona de casa.

Findo o jantar, os convidados dirigem-se à sala de visitas para o café.

Aí encontrarão cinzeiros e cigarros. Numa bandeja arranjada sobre

uma mesinha, estará pronto o serviço de café. Compete à dona de casa

encher as xícaras e ao dono da casa distribuí-las. No caso da anfitrioa ser

viúva, ou não estar seu marido presente, ela não se levantará para oferecer

as xícaras; os convidados devem aproximar-se e receber cada qual a sua,

nunca passando-a a outra pessoa, pois isso constituiria uma "gaffe".

Convém lembrar que num jantar sem cerimônia, é a dona de casa que

compete dirigir a conversação à mesa. Muitos homens, sobretudo certos

maridos, geralmente esquecem esse ato de deferência devido à anfitrioa

e absorvem completamente a atenção dos comensais quase relegando ao

ostracismo a dona de casa. Essa atitude é simplesmente grosseira.

Uma dona de casa observa discretamente se algum comensal ficou em

atraso; nesse caso não descansa o seu talher e espera que todos tenham

terminado cada prato. Nunca deve insistir para que aceitem esta ou

aquela iguaria, o que poderia deixar constrangido o conviva que não aprecie

determinadas coisas. Também não deve servir quantidades grandes de cada

prato, é melhor permitir que o próprio interessado peça repetição do que mais

lhe agradou. Em hipótese alguma pode ela elogiar qualquer dos pratos; se alguém

o fizer durante a refeição, ela receberá os elogios com grata naturalidade.

 

 

JANTAR COM UMA SÓ CRIADA

 

Tendo-se apenas uma criada, se o jantar for bem planejado, tudo ocorrerá

muito bem. Uma criada, previamente adestrada, executará com facilidade o

serviço numa mesa de seis ou oito pessoas, desde que tudo tenha sido arrum

ado com acerto. Retirar os pratos utilizados e substituí-los por outros limpos

não constitui problema. As iguarias virão devidamente arrumadas desde a

sopa, de maneira que a tarefa de servi-las não apresentará dificuldades.

Uma boa criada prestará grande auxílio nessas ocasiões. Poderá dispensar

a dona da casa de muitos pequenos detalhes que sempre atrapalham na hora

de receber os convidados. É claro que a criada foi previamente instruída sobre

a maneira correta de servir nessas circunstâncias; seu maior ou menor êxito

dependerão da orientação recebida da dona da casa. O método a seguir será

o mesmo explicado no JANTAR SEM CRIADA, isto é, a criada terá tudo pronto

com antecedência, de maneira a estar a postos para o serviço da mesa quando

cheguem os convivas. Será sua a tarefa de acender os castiçais, encher os copos

d'água, etc., deixando tudo em ordem para que, ao entrarem na sala os

convidados, não haja reparos a fazer na última hora. A criada deve apresentar-se

de uniforme preto, avental branco, punhos, gola e enfeite de cabeça rendados.

 

 

 

JANTAR AMERICANO

 

 

O jantar americano, conforme o nome está indicando, foi adotado pelos

americanos e consiste numa maneira simplificada de servir uma refeição. Como

é sabido, na América do Norte o problema das criadas é dos mais sérios e as

donas de casa devem arcar sozinhas com todos os afazeres domésticos; por

conseguinte, tornou-se necessário simplificar também a maneira de receber

e oferecer um jantar. Não há regras estabelecidas para um jantar americano,

a etiqueta antiga deu lugar a uma expansão de cordialidade muito mais prática,

e o sistema pode ser adotado por toda dona de casa que não disponha de criadagem.

O jantar, embora marcado para determinada hora, não exige a máxima

pontualidade por parte dos convidados, este, porém, não devem fazer-se

esperar além do que permite a cortesia. Se, contudo, chegarem um pouco

atrasados, não se deve considera-los grosseiros. A dona da casa arranja

a mesa com tudo o que for necessário: louça, talheres, guardanapos, cristais, etc.

Os candelabros podem ser dispensados, dando lugar a bonitas fruteiras que

ladeiam a floreira colocada no centro da mesa. Na mesma linha, são colocados

os pratos principais: iguarias quentes e frias à escolha dos convidados.

Estes, conforme forem chegando, recebem o seu prato servido e procuram

alojar-se ao acaso, onde acharem melhor. Mesinhas e cadeiras devem estar

espalhadas por toda parte, na sala, no alpendre, no terraço, enfim onde

houver espaço. Os convidados juntam-se em grupinhos e comem com a

maior liberdade. Na extremidade da mesa, ou sobre o carrinho de chá,

devem estar colocados os serviços para chá e café; sobre um aparador ou

buffet são arrumados alguns pratos suplementares e as bebidas geladas

com os respectivos copos. Enfim, o arranjo depende exclusivamente do bom

gosto da dona da casa que não deixará de por em destaque o seu toque pessoal.

A toalha e os guardanapos podem ser coloridos, cores vivas e contrastantes

para alegrar o ambiente. As flores, espalhadas em vasos originais, devem

ser as mais variadas. Os aperitivos com o acompanhamento: canapés, azeitonas,

batatas fritas, salsichas, queijos fortes, molhos picantes, etc. podem ser

arrumados numa pequena mesa em lugar bem acessível, para que todos

possam servir-se à vontade. Entre os americanos, essas reuniões têm particular

encanto no fato de cada senhora convidada auxiliar a dona da casa em tudo;

mesmo os cavalheiros não desdenham prestar ajutório tanto

na sala, como na copa e na cozinha. Um casal de artistas

, notável no mundo social da cidade

de Nova York, recebe o que há de mais expressivo nas artes, na literatura

e na política, dessa maneira; em suas reuniões nunca se vê um criado,

cada conviva provê as próprias necessidades e auxilia o casal a fazer as honras

da casa. A chegada de algum comensal estrangeiro, não familiarizado com

esse sistema, os que se acham presentes não procuram dar explicações, mas

apenas integrá-lo nos hábitos comuns, e, geralmente, o comensal acaba por

adotar em sua própria casa o sistema que achou realmente adorável.

Quem tem a felicidade de residir numa fazenda, pode conseguir milagres

com um jantar americano, que também pode ser almoço ou um chá à tarde.

O espaço exterior da casa: jardim, pomar, avarandados, oferecem a possi

bilidade para arranjos de recantos maravilhosos e proporcionam momentos

inesquecíveis aos convivas. Ao escurecer, pode-se iluminar as árvores do

jardim ou pomar e os galhos. Durante o dia, guarda-sóis podem ser espalhado

s por entre os canteiros; o efeito será estupendo em ambos os casos.

 

 

 

JANTAR SEM CERIMÔNIA

 

 

Um jantar sem cerimônia reúne um número reduzido de pessoas, quando muito

oito pessoas, geralmente íntimas, o que tornará a reunião mais simples.

Entretanto, não se deve omitir coisa alguma para o belo efeito no arranjo da mesa.

A toalha poderá ser de damasco, branca ou colorida; de linho bordado ou

com aplicações de rendas, enfim, bonita e sem a menor ruga. Ornamentos,

tais como flores e candelabros, são admitidos como prova de bom gosto,

e deferência para com os convidados. Objetos integrantes do serviço de mesa

são os pratinhos para pão e manteiga colocados à esquerda, acima dos

garfos e providos de uma faca apropriada. Os copos mais adequados podem

ser simplesmente de pé; todavia, quem quiser usar os de hastes longas,

poderá faze-lo sem impropriedade. Quanto aos guardanapos, serão

arrumados de acordo com o que será servido como primeiro prato. Se este

for um coquetel de frutas, já servido quando os convivas se sentarem,

então os guardanapos estarão colocados à esquerda dos pratos. Mas iniciando-se

a refeição com a sopa, os guardanapos estarão dobrados num quadrado, ou

retângulo com as iniciais à mostra, colocados sobre cada prato significando

que a sopa nunca será servida antes de os convivas estarem em seus respectivos

lugares, e que só será trazida pela criada quando todos estiverem a postos.

Sendo a sopa o primeiro prato do "menu", serve-se em seguida a carne com

os complementos, podendo-se também servir a salada, simultaneamente,

ou à parte, desde que cada convidado tenha um prato para ela, colocado

em linha com o prato do jantar, pois nem todos gostam de misturar a salada

com carnes, sobretudo de molhos. Terminada a refeição de pratos salgados,

a criada recolhe todos os pratos, talheres, pimenteiras e saleiros usados,

e retira com a escova as migalhas espalhadas na toalha. Uma vez removida

a louça e feita a limpeza da mesa, ela colocará os pratos e talheres para a

sobremesa. Num jantar sem cerimônia, os pratinhos serão colocados diante

de cada comensal com as lavandas e os respectivos guardanapinhos, ou toalh

inhas. Cada comensal, após descansar o garfo e a colher de cada lado do prato,

retira a lavanda e coloca-a sobre a mesa, acima do próprio prato, um pouco

à esquerda. Depois serve-se da sobremesa. Terminando de comer esta,

e quando seu prato foi removido, aproxima a lavanda e mergulha delicadamente

a ponta dos dedos na água, evitando borrifar a mesa, enxugando-os em seguida

no guardanapo, que será colocado sobre a mesa sem dobrar. Há quem aceite

o hábito de servir o café na mesa, após o jantar; não há inconveniente para

um jantar sem cerimônia e, neste caso, a dona da casa enche as xícaras que

a criada passará, pela direita, a cada comensal. Nunca será omitida a

ordem de precedência. O protocolo, num jantar sem cerimônia, também é

simplificado: a dona de casa não recebe junto ao "hall", estará sentada na

sala como quando recebe suas visitas. Levanta-se quando chegam os convidados

e com eles troca os cumprimentos de praxe, em seguida volta a sentar-se.

Os homens não oferecem o braço às senhoras para conduzi-las à sala de jantar;

estas dirigem-se juntas e os cavalheiros seguem-nas em grupos.

Não haverá cartões indicando lugar na mesa; a dona de

casa toma o seu lugar e, de pé, vai indicando a cada um o seu.

 

 

 

JANTAR DE GALA

 

 

Atualmente vão-se tornando cada vez mais raros os grandes jantares de gala,

mesmo nas mansões de famílias da melhor sociedade. Quando estes se tornam

necessários, encarregam-se especialistas no assunto para a sua organização.

Na maioria das vezes esses banquetes são oferecidos no salão de algum

restaurante fino, ou de algum clube, poupando assim à dona da casa as

responsabilidades e trabalhos. A fim de esclarecer o quanto de preocupações

comporta um banquete de gala, damos aqui alguns detalhes que caracterizam

essa função social. Antes de mais nada, - nenhum jantar pode ser considerado

de cerimônia quando servido por mulheres: todo serviço de cerimônia reque

r homens. Os convivas devem chegar uns dez ou quinze minutos antes da hora

marcada para o jantar. Quando chega o primeiro convidado, os donos da

casa devem estar a postos para recebe-los. Sendo o jantar oferecido a um

convidado de honra, todos os demais devem chegar antes dele; a dona da

casa recomenda, previamente, que venham a tempo de ajuda-la a receber.

Meia hora antes do jantar, convém que a dona da casa inspecione a sala, a

mesa e todo o serviço para se certificar de que todo o serviço para se certificar

de que tudo está em perfeita ordem. Detalhe este dispensável quando tudo

foi combinado com o maitre responsável pelo serviço. Aos convidados que

vão chegando, servem-se aperitivos, salvo no caso de haver convidado de

honra, devendo-se esperar por este para servir. Os garçãos executarão esta

tarefa. A chegada do convidado de honra, todos devem levantar-se e recebe-lo

com palmas (se for uma personalidade do governo) e só depois que ele fizer

a saudação de cortesia e sentar-se é que os demais convidados tomarão seus

lugares discretamente e sem ruído. Tratando-se de um banquete oficial

com a participação de altas autoridades, como por exemplo o que se

oferece ao chefe da Nação, vigora o protocolo estabelecido pelas competentes

instruções da Secretaria do governo. Damos um exemplo das normas

adotadas em relação à ordem de precedência:

 

1.º - Presidente da República

(ou Governador de Estado)

2.º - Ministros

3.º - Cardeal, Núncio e Bispos

4.º - Presidente dos Supremos Tribunais

5.º - Presidente da Assembléia

6.º - Generais da Divisão

7.º - Generais da Brigada

8.º - Coronéis

9.º - Governadores Civis

10.º - Juízes dos Tribunais de Primeiras Instâncias

11.º - Administradores do Conselho

 

As respectivas esposas, quando presentes ao banquete, ocupam o lugar à

esquerda do marido e, quando não acompanhadas, à esquerda de um

cavalheiro previamente indicado. O jantar de cerimônia numa casa particular,

todavia, deve ter como chefe supremo a própria dona da casa e suas atribuições

só findam após a saída do último convidado. As normas corretas são as seguintes.